Não há como negar que o castigo dá resultado, conseguimos interromper o comportamento da criança que nos incomoda no momento em que ele se manifesta. Afastamos o problema, nos livramos dele, podemos respirar novamente. No entanto, ele faz a criança se sentir mal consigo mesma e mais distante de você, o que pode piorar o comportamento dela. A longo prazo, a prática do castigo pode provocar um desgaste na relação entre os pais e a criança, além de diminuir a autoestima dela e provocar marcas profundas de dor no seu emocional. Para entender melhor o que o castigo pode causar no seu filho, veja esta lista:

6 Efeitos que o castigo provoca:

1⃣ FAZ A CRIANÇA SE SENTIR MÁ PESSOA
Ao cometer um erro e ser afastada, a criança se sente inadequada, como se confirmasse para si mesma: “tem algo de errado comigo, sou má pessoa”. Isso baixa sua autoestima e contribui para que se comporte mal, já que ela se sente mal consigo mesma. Em vez de entender que errar é algo que acontece com todos e que há formas de reparar erro, que temos direito a uma segunda chance, passamos a mensagem de que a criança tem um defeito e que tem que sofrer por isso.

Tá vendo? Ninguém mandou…

Quantos de nós temos dificuldade de nos acolher até hoje quando falhamos? Quantos de nós perseguimos uma perfeição que não existe e não conseguimos nos amar por inteiro por nos exigirmos demais, por sermos extremamente críticos e duros com nós mesmos? Em que momento começamos a nos cobrar tanto, a nos sentirmos tão mal por nossos erros? Quantos de nós acreditamos que merecemos sofrer porque erramos? Apenas fique com estas perguntas por um tempo.

2⃣ A CRIANÇA NÃO APRENDE A REGULAR SUAS EMOÇÕES
Eventualmente, a criança que é mandada pro quarto vai se acalmar, mas ela não aprendeu nada sobre regular suas emoções, portanto não saberá como lidar com suas emoções da próxima vez. Se você quer ensinar seu filho a se acalmar nessas horas, acolha, passe a mensagem de que o que ele está sentindo é aceitável e pode ser regulado.

3⃣ FUNCIONA ATRAVÉS DO MEDO DE ABANDONO E DE PERDA DE AMOR.
A criança castigada “obedece” porque não quer perder seu amor, não quer ser abandonada, não porque aprendeu algo com o erro. Ela entende que só é merecedora de amor quando faz o que você quer. Isso é amor condicional.

4⃣ A CRIANÇA ENTENDE QUE SENTIR-SE MAL NÃO É SEGURO.
Ela aprende que sentimentos confusos e difíceis são inaceitáveis ou indignos de amor, então tenta reprimi-los para se sentir amada. No entanto, essas emoções não desaparecem, elas ressurgem em forma de explosão num momento de irritação ou frustração. Outro efeito é que a criança vai deixando de ser autêntica, pois começa a mudar sua forma de ser ou se expressar para agradar os demais.

5⃣ A CRIANÇA SE SENTE HUMILHADA E ALIMENTA UM SENTIMENTO DE VINGANÇA
O castigo vem depois que a luta de poder se estabelece. A criança castigada perdeu a luta e se sente humilhada, portanto o mais provável é que ela use o tempo do castigo para pensar em como vingar-se ou não ser pega da próxima vez. Acredite, é mais esperado que ela se sinta péssima do que motivada para agir melhor da próxima vez.

6⃣ O CASTIGO TE DESCONECTA DO SEU FILHO, FAZ ELE SE SENTIR INCOMPREENDIDO E SOZINHO.
Afastar a criança corta o vínculo com ela, deixa claro que você não entende seu ponto de vista. Uma criança que se comporta mal está se sentindo mal, portanto acolher é uma forma de ajudá-la. Puni-la vai passar a mensagem de que você não a compreende nem a aceita e vai ampliar o sentimento de desconexão entre vocês. O mais provável é que ela se sinta abandonada e ressentida, com a sensação de que não pode contar com você em momentos de conflito, desespero ou mal estar. Uma criança que se sente desconectada tem mais dificuldade de cooperar e se comportar bem. Castigar só vai aumentar o ciclo de mau comportamento.

O QUE FAZER NO LUGAR DE CASTIGAR?

O castigo, mesmo sendo melhor do que bater, é visto pela criança como um tipo de punição que a isola e humilha. Ele pode até interromper o mau comportamento momentaneamente, no entanto, a longo prazo, como faz a criança sentir-se mal, a tendência é que ela se comporte pior.

É sempre melhor prevenir. Se seu filho está apresentando um mau comportamento, fique atento para ver se ele está com alguma necessidade não atendida: ele está se sentindo conectado, importante, considerado, satisfeito, pertencente, livre, visto, amado e motivado? É algo que você pode atender no momento? Será que você precisa ajustar algo na rotina dele para amenizar esse sentimento que está provocando o desconforto e, portanto, alterando o comportamento dele?

Controlar suas emoções vai ajudá-lo também a se inspirar para saber como lidar com as dele. Perder a calma só piora o cenário, é como querer diminuir o fogo colocando mais lenha na fogueira.

Se você percebe que seu filho está a ponto de perder a cabeça, você pode convidá-lo para ir ao cantinho da calma (não é cantinho do pensamento!! leia mais neste link), um espaço calmo da casa para ele se sentir bem fazendo coisas que gosta. Se partimos do pressuposto que quando se sentem mal, se comportam mal, nossa intervenção nessas horas seria de ajudá-los a se sentirem bem. Punir tem o efeito contrário. Mas lembre-se, convidar não é impor, é sugerir, é deixar claro que você percebe que ele está ficando nervoso e que está oferecendo ajuda, que está a seu lado para apoiá-lo. Você pode dizer algo como: “Querido, tô vendo que você não está muito bem, quer ir ao cantinho da paz comigo para respirar um pouco?

Se seu filho já está tendo um ataque de fúria, não dá tempo de explicações ou ensinamentos. Desista de dar sermão, negociar ou convencê-lo de algo, ele já acionou o modo de emergência “lutar ou fugir” e seu cérebro não está funcionando racionalmente no momento. Melhor permanecer próximo e manter a calma. Fale pouco, diga a ele que você está com ele e que ele está seguro. Ofereça um abraço, mas não force, o mais provável é que ele não queira ser tocado por um tempo. Deixe claro que você está disponível e presente, afastar-se pode gerar medo de abandono. Se a crise emocional foi disparada por um limite e você não pode ceder, não volte atrás. Mantenha sua decisão, mas seja amoroso e acolhedor. Ele tem o direito de se sentir contrariado, não tenha medo de vê-lo revoltado. Quando sentir que há espaço, valide: “você queria continuar vendo a televisão e depois do jantar não vemos tv, não é mesmo? Eu sei, você queria muito ver mais um pouco mais de desenho, seria legal se você pudesse ver, não?” Aguente firme e espere. Diga a ele o quanto você o ama e sente muito pela situação.

E SE VOCÊ PERDE A CALMA?

Se você estiver a ponto de perder a cabeça, faça uma pausa positiva. Se necessário, afaste-se da criança por alguns minutos, mas não dê a entender que é um castigo para ela. Comunique algo como: “Estou ficando nervoso, preciso ficar 5 minutos sozinho para me acalmar, não quero gritar com você. Eu já volto.” É muito difícil conter nossa raiva em algumas situações, especialmente se o comportamento do nosso filho toca em alguma ferida da nossa criança interior. Acredite, muito melhor você desaparecer por alguns minutos do que descontar a raiva nele.

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✍️: Maíra Soares (@cantomaternar), Mentora de Mães e Educadora Parental em Criação Consciente

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