Outro dia fui acordar a Nara de uma soneca que já estava muito longa e ela ficou super mal humorada. Sabe quando a criança continua com sono, tá com fome e não sabe muito bem o que tem? Começou a chorar e conforme eu ia puxando assunto, oferecendo fruta ou alguma atividade, ela ia se irritando, batendo as pernas, gritando, me empurrando. E desatou naquele choro forte, sem me deixar tocá-la, sem aceitar colo, se eu oferecia uma saída parecia mais um insulto que um consolo.

Nessas horas é muito difícil não julgá-la.

“Ô menina insolente, não tá vendo que estou tentando ajudar? Quanta malcriação! Coisa feia tratar assim sua mãe!”

Mas tô ficando treinada e já sei que não é comigo. Já sei que quando ela está neste estado, ela não quer me fazer passar mal, ela está passando mal.

Respiro fundo e observo meus pensamentos automáticos. Isso que estou pensando é real? Ela é mesmo atrevida ou é minha criança ferida que está nervosa e querendo que ela se cale da mesma forma como foi calada?

Respiro fundo, reconheço minha dor. Já estou mais relaxada.

Ilustração: Priscila Soares / Canto Maternar

– Filha, você quer um abraço?

– Não! – ela está deitada na cama e começa a dar patadas no ar cada vez que falo.

– Tudo bem, se quiser um abraço estou aqui.

– Não! Não quero abraço!

Espero. Deixo chorar. Chorar alivia, logo passa.

– Tem alguma coisa que posso fazer por você?

– Não! – mesma reação, ela ainda não está bem.

– Tá bom. Se quiser algo me avisa, estou aqui. Um abraço pode ser muito gostoso, ajuda a gente a se sentir melhor.

– Não quero abraço!

Me calo. Respeito o tempo dela. Aguento. O choro da criança incomoda, como é difícil controlar o impulso de querer que se calem (porque irrita), que “parem de sofrer” logo (porque dá pena). Mas me pergunto: estão sofrendo tanto assim ou somos nós que nos identificamos com a angústia de acreditar que é errado se sentir assim, que é melhor fugir deste sentimento o quanto antes? Porque quando passávamos por isso, nos reprimiam, nos humilhavam, nos afastavam, nos gritavam, nos batiam, nos castigavam. E nos sentíamos inadequados, defeituosos, imperfeitos, rejeitados. Aprendemos a controlar nossas emoções para não perder o amor materno, para sermos aceitos. E deixamos de nos aceitar nestes momentos. Para garantir o amor materno, sem querer nos treinamos para interromper o mecanismo perfeito do nosso corpo: de limpar a tristeza, a raiva e o incômodo com o choro. E até hoje, quando somos tomados por estes sentimentos, queremos nos livrar deles o quanto antes. Vai que alguém percebe, vai que não damos conta, vai que não nos entendem, nos rejeitam?

– Quer um abraço?

– Sim! – ela me estende os braços e saímos da cama. Está mais calma, enxuga as lágrimas e mergulha o rosto no meu ombro.

– Meu amor, você sabia que te amo muito? Eu vou estar sempre ao seu lado. Que bom poder te abraçar! Você gosta quando eu te abraço?

– Sim! Também te amo, mamãe. – e me aperta gostoso!

– Você viu que você acordou sem saber o que queria? Por isso você estava daquele jeito, né? Às vezes a gente não consegue entender o que está acontecendo com a gente e não se sente bem, né? Também acontece comigo às vezes.

– Sim…

– Acho que você ainda tá com um pouco de sono e com fome, não? Quer uma fruta?

– Sim!

– Sabia que eu gosto muito de te abraçar? O abraço é muito poderoso, ele ajuda a gente a se sentir bem quando a gente não está se sentindo muito legal. – e nos esprememos um pouquinho mais.

– Sim!

Mais tarde, quando o Alfonso chegou, ela correu pra contar pra ele:

– Papai, hoje eu chorei muito e a mamãe me deu um abraço. Porque o abraço é muito bom e eu me senti melhor.

É dessa forma que tenho lidado com estes momentos, entendendo que quando a Nara se sente mal, meu papel é ajudá-la a se sentir melhor. E se isso significa apoiá-la a se expressar com o choro, demonstro presença, amor e compreensão. É bem mais natural do que acreditamos, uma vez que passa ela está bem, se livrou do mal estar e estamos mais conectadas que antes. Assim que ela me ensina a aceitar sua humanidade. Assim que ela me ensina a aceitar minha humanidade.

E hoje em dia, quando a Nara vê alguém chorando, ela costuma perguntar: “você quer um abraço?” 💙

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✍️: Maíra Soares (@cantomaternar), Mentora de Mães e Educadora Parental em Criação Consciente

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